domingo, 17 de julho de 2011

ACAMP´S

  Aê gaalera, porque ir pro Acamp’s?
 Gosta de aventura, no Acamp's vai ter paredão de escalada, quer emoção, no Acamp’s vai
ter tirolesa e corrida com obstáculos! Quer dançar, descontrair, vai
ter shows e apresentações artisticas! Está cansado das mesmas férias, da
mesma morgação de sempre, meu brother o Acamp's vai ser inesquecível, imperdível, Incrível! Sendo você não perderia por nada!
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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Os frutos do pontificado de João Paulo II

   

 João Paulo II, beatificado em 1º de Maio, foi um dos mais importantes papas da Igreja. Poderia ser chamado de “Magno”, como Leão I (†461) e Gregório I (†604). Leão enfrentou os “bárbaros” e segurou a Civilização Ocidental que desabava na barbárie. Gregório soube conquistar e evangelizar os “bárbaros”, iniciando a reconstrução do Ocidente sob a luz de Cristo.
João Paulo II soube preparar a Igreja para a difícil caminhada do século XXI. Foi um verdadeiro profeta, qual novo Moisés, a conduzir o povo de Deus ao século XXI com a sabedoria de um grande mestre dos tempos atuais.

    Foi um dos grandes personagens do século XX. Em 1994 foi escolhido como “Homem do Ano” pela revista “Time”. A revista disse na ocasião: “As pessoas que o veem – e são milhões sem conta – não o esquecem. Seu aspecto é capaz de produzir uma sensação eletrizante, que ninguém mais na terra pode igualar”.
Ao ser eleito papa, em 1978, o cardeal Stefan Wyszynski, primaz da Igreja na Polônia, lhe disse que uma de suas grandes tarefas seria preparar a Igreja para o novo milênio. E isto ele fez com grande sucesso.
    Seu pontificado foi singular desde o início: um Papa polonês que chegou ao trono de Pedro após 455 anos de pontífices italianos. Seu caminho não foi fácil: uma vez eleito, enfrentou uma crise no catolicismo mergulhado em um Ocidente secularizado, onde o homem vive “como se Deus não existisse”. Mas com a força da fé e a eterna certeza da vitória de Cristo sobre o mal, ele soube enfrentar todos os desafios, propagando que a última palavra da História seria a vitória do bem.
    Mesmo os que não compartilham a fé católica perceberam nesse homem alguém que viveu abnegadamente para um ideal nobre e que se interessou não só pela religião, mas por todas as questões relativas à dignidade do ser humano. Ele soube magnificamente integrar a fé com a história, Deus com o homem, sem oposição, traçando um nova era espiritual do mundo, nos cinco Continentes.
    O Espírito Santo foi buscá-lo detrás da “Cortina de Ferro” comunista para fazer cair o “Muro da Vergonha”, de Berlim, e trazer a paz e a fé de volta a tantos países do Leste europeu: República Tcheca, Eslováquia, Rússia, Bulgária, Romênia, Polônia, Hungria e outros que voltaram a respirar a liberdade.
    João Paulo foi um marco na história da Igreja e do mundo, não só pelos quase 27 anos de pontificado, mas pela sua santidade, cultura, amor ao ser humano, estadista, mestre da doutrina, arauto da paz, paladino da justiça entre os povos. E também “homem das dores”: foi baleado, protegido pela Virgem de Fátima, viveu a perseguição do comunismo e do nazismo, temperou sua fibra e sua fé no calor da perseguição à Igreja.
    Soube falar ao mundo e com o mundo e revelou-lhe as suas chagas, apresentando o remédio de que precisava: Jesus Cristo. Em seu primeiro discurso como Papa pediu ao mundo: “Abri as portas a Jesus Cristo”, e fez disso o lema de seu pontificado.
    João Paulo nos deixou uma herança religiosa que continuará sendo uma referência. Na base das suas convicções, está a idéia de que o cristianismo é “uma força libertadora da sociedade e do homem”.                          Na sua primeira encíclica, “Redemptor Hominis”, deu o tom do seu trabalho: Por Jesus Cristo salvar o homem e o mundo moderno.
Incansavelmente escreveu, viajou, rezou, acolheu peregrinos do mundo todo, socorreu os aflitos, confirmou os irmãos na fé e uniu a Igreja em torno dele. A veneração, admiração e a gratidão para com ele vieram de todas as partes do mundo. Fomos guiados por um Homem de Deus, que conquistou amor e respeito para além de qualquer barreira humana.
    Ele foi o verdadeiro humanista experimentado de que o mundo precisava, o profundo conhecedor do pensamento filosófico, aquele que bebeu nas fontes da grande espiritualidade e que estava atento a todos os desenvolvimentos do pensamento contemporâneo.
    Ele falava a um homem a quem conhece e, assim, o homem o reconhecia como o bom Pastor. Soube falar como pai às crianças e aos jovens; soube ensinar os casais e os homens públicos, os empresários e os pobres, os iletrados e os doutores, os incluídos e excluídos da sociedade, sem fomentar a luta de classes e a violência, chamando a todos ao amor do Cristo. E, sobretudo, soube mostrar aos sacerdotes que a missão sacerdotal é a máxima realização para um homem, realização altamente humana, porque divina.
    O Senhor preparou um atleta para percorrer incansável as estradas do mundo – “antes que fosses formado no ventre de tua mãe, Eu já te conhecia; antes que saísses do seio materno, Eu te consagrei e te constituí profeta entre as nações” (Jr 1, 5).
    Nesta hora em que o Céu o acolhe precisamos dizer: Obrigado Senhor, porque nos destes um grande Pai, Mestre e Pastor. Obrigado, Santidade, por nos ter feito compreender, com o seu “Totus tuus”, o poder da entrega de uma vida a Deus pelas mãos da Virgem Maria. Obrigado, “Doce Cristo na terra”, pelo sofrimento abraçado e oferecido a Deus por nós até o teu último dia.
    Com todo o povo aclamamos: “Santo súbito!” Interceda pela Santa Igreja e por cada um de nós no céu sem cessar.


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Prof. Felipe Aquino

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Como discernir minha vocação

“A vocação Shalom é um chamado de Deus que se dirige a todo e qualquer membro batizado do povo de Deus que, tendo feito a experiência com o Ressuscitado que passou pela cruz e que batiza no Espírio Santo (Jo 20, 19-22), recebe o apelo de segui-lo segundo o espírito desta vocação... Cabe à Comunidade ter a sabedoria e o discernimento dados pelo Espírito de Deus, para, através de sua vivência, despertar e discernir novas vocações” (Art. 26 ECCSh) 


À partir desse artigo dos estatutos da comunidade quero partilhar com vocês algo muito importante, algo que compromete a nossa vida e muda o rumo da nossa história. Gostaria de partilhar o chamdo de Deus e a nossa resposta. Muitas vezes diante da nossa caminhada com Deus trazemos no coração uma voz que inquieta e que não sabemos traduzir bem. Porém, junto com essa inquietação vem uma certeza: Deus nos chama a darmos mais do que estamos dando. Parece que Ele não quer “simplesmente” a nossa oração, a nossa participação na eucaristia ou o nosso compromisso com o grupo de oração. Vai ficando claro (apesar dos medos e das inseguranças) que Deus quer a nossa vida e não simplesmente os nossos atos ou compromissos. Nasce, então, dentro do nosso coração uma sede de ofertarmos toda a nossa vida a Deus. Mas, junto com essa sede, nasce a grande pergunta: “Onde?” e “como?” e “será que serei capaz de viver?”. Diante dessas perguntas todos devem começar a buscar descobrir o plano de Deus, pois só o plano que Deus pensou responderá a essas perguntas e para isso se faz necessário um caminho de acompanhamento vocacional para entedermos e vivermos o que Deus quer de cada um de nós. A nossa oração deve ser como a de São Francisco de Assis que rezava a Deus dizendo: “Senhor que queres que eu faça?” ou em outras palavras podemos dizer: “Senhor qual a tua vontade para mim?”, “Senhor, como saciar essa sede que tenho no coração por esse algo mais?”. Quanto mais rezamos, vamos a missa, adoramos, vamos para o grupo de oração mais Deus faz crescer essa inquietação. 


Meus irmãos, se essa pequena partilha que escrevo é uma verdade para você está na hora de você viver um caminho de discernimento vocacional. Se você tem o desejo de conhecer melhor à vocação Shalom ou quer tornar-se um vocacionado Shalom é só escrever para o endereço que está nessa página da revista ou visitar o site www.comunidadeshalom.org.br/vocacional e clicar na parte: DESEJO SER UM VOCACIONADO. 


“O irmão que se sinta vocacionado à comunidade deve submeter-se a um processo de acompanhamento vocacional. Após esta primeira etapa de discernimento de sua vocação, submete-se a um caminho em três etapas: Postulantado, Noviciado e Consagração.” (Art. 30 ECCSh) 
Esse caminho vocacional o ajudará a discernir o chamado de Deus, bem como a sua resposta. Todos que trazem o apelo no coração de anunciar a PAZ ou o SHALOM precisam estar conscientes que trazemos um chamado de consagrarmos toda a nossa vida à Deus pela vida de oração, vida fraterna e serviço exclusivo na evangelização. 


Gostaria de terminar essa pequena partilha dirigindo uma palavra aos jovens e para isso vou usar uma frase do documento “VITA CONSECRATA” do nosso amado papa João Paulo II: “A vós, jovens, digo: se sentirdes o chamado do Senhor, não o recuseis! Entrai, antes, corajosamente nas grandes correntes de santidade, que foram iniciadas por santas e santos insignes no seguimento de Cristo. Cultivai os anseios típicos da vossa idade, mas aderi prontamente ao projeto de Deus sobre vós, se ele vos convida a procurar a santidade na vida consagrada. Admirai todas as obras de Deus no mundo, mas sabei fixar o olhar sobre aquelas realidades que jamais terão ocaso.” 
Deus espera a sua resposta! 
Shalom! 
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por Gleidson Bezerra 

terça-feira, 12 de abril de 2011

No mundo de hoje, o que diria Jesus

Sabemos que Deus, ser espiritualíssimo, é amor. Por conseguinte, o amor é o elemento espiritual mais ansiado: aquele amor que Deus, ao fazer-se homem, trouxe à terra. 

Imaginemos ver passar diante dos nossos olhos algumas cenas sintomáticas do mundo de hoje. (...) E nos perguntemos: o que diria Jesus se aparecesse no meio delas? Estamos certos de que hoje, como no seu tempo, falaria novamente de amor. “Amai-vos – diria – como eu vos amei”. Somente juntos, na concórdia e no perdão, é que podemos construir um futuro sólido. 

Como em uma seqüência de projeções que se dissolvem uma na outra, imaginemos transferir-nos para outros lugares, como um país da América Latina, por exemplo. De um lado, arranha-céus, muitas vezes como modernas catedrais erigidas ao deus-consumo, e, do outro, barracos, mocambos, favelas e miséria: miséria física e moral; e doenças de toda espécie. 

O que diria Jesus diante desta visão desoladora? “Eu vos tinha dito que vos amásseis. Não o fizestes e eis as conseqüências.” 

E se outros quadros, como numa colagem, nos oferecessem visões de cidades, conhecidas como as mais ricas do mundo, ou com as mais avançadas tecnologias e, simultaneamente, panoramas de ambientes desérticos com homens, mulheres e crianças morrendo de fome. Que diria Jesus se aparecesse bem ali no meio? “Amai-vos.” 

Ou se víssemos imagens de lutas raciais com flagelos e violações de direitos humanos... Ou intermináveis conflitos armados... Que diria Jesus diante de tantos dramas? “Eu vos tinha dito que é preciso querer-se bem. Amai-vos como eu vos amei.” Sim, diria isso diante destas e das mais graves situações do mundo atual. 

(...) E o que Jesus diz é de uma importância enorme, porque este “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” é a chave principal para a solução de todo problema, é a resposta fundamental para todo mal que atinge o homem. 

(...) Jesus definiu o mandamento do amor como “meu” e “novo”: é um mandamento tipicamente seu, visto que lhe deu um conteúdo único e novíssimo. “Amai-vos – disse Ele – como eu vos amei”. E Ele deu a vida por nós. 

Por conseguinte, o que está em jogo neste amor é a vida. E um amor para com os irmãos, dispostos a dar a vida, é o que Ele pede também de nós. 

Para Jesus não é suficiente a amizade ou a benevolência para com os outros; não lhe basta a filantropia, nem a mera solidariedade. O amor que ele pede não se resume na não-violência. É algo de ativo, ativíssimo. Exige que não se viva mais em função de si mesmo, para viver pelos outros. E isso requer sacrifício, esforço. Exige que todos se transformem de pessoas covardes e egoístas, concentradas nos seus próprios interesses e nas suas próprias coisas, em pequenos heróis da vida cotidiana: pessoas que dia após dia estão a serviço dos irmãos, prontos a dar até mesmo a vida por eles. 

Caríssimos jovens, é este o chamado da vocação de vocês, se não quiserem ver seus ideais dissiparem-se em meras utopias. 

Vocês devem amar desse modo, viver o amor mútuo desse modo, começando vocês a dar testemunho deste amor antes de propô-lo aos outros. 

Testemunhas, modelos, para que o mundo veja como vocês se amam e possa repetir aquilo que foi dito a respeito dos primeiros cristãos: “Vede como se amam e estão prontos a morrer uns pelos outros”. 

Deste modo teremos colocado bases sólidas; estará plantada a raiz da árvore que queremos ver florescer.

De fato, este amor recíproco entre vocês terá conseqüências de um valor – diríamos – infinito, porque onde existe o amor, lá está Deus; e como disse Jesus: “Onde dois ou três estão reunidos em meu nome (ou seja, no seu amor), ali estou eu no meio deles”. 

Vocês terão então Cristo entre vocês, o próprio Cristo, o Onipotente; e dele vocês podem esperar tudo. 

Será Ele mesmo a trabalhar com vocês porque Ele de certa forma voltará ao mundo, a todos os lugares onde vocês estiverem, através do amor reciproco, da unidade vivida entre vocês. 

Ele os iluminará a respeito de tudo o que deve ser feito, será o seu guia e sustento; Ele será a força, o ardor, a alegria de vocês. 

Por meio dele o mundo que os rodeia se converterá à concórdia, e toda divisão será sanada. Foi Ele quem disse: “Que sejam um a fim de que o mundo creia”. 

Vocês assumiram um compromisso grandioso. Não pode ser outro, senão Ele, o líder nessa luta. 
Portanto, amor entre vocês e amor semeado em muitos cantos da terra, entre as pessoas, entre os grupos, entre as nações, com todos os meios, para que se torne realidade a “invasão do amor” da qual sempre falamos, e tome consistência – também mediante o contributo de vocês – a civilização do amor que todos desejamos. 

É isto que vocês são chamados a viver. E haverão de ver grandes coisas. 

(...) Sigam em frente sem hesitação. A juventude que vocês irradiam não conhece meias medidas, é generosa. Não a desperdicem! 

Sigam em frente vocês, jovens cristãos, que acreditam em Cristo! 

Sigam em frente vocês, jovens de outras religiões, guiados por seus tão nobres princípios! 

Sigam em frente vocês, jovens de outras culturas, vocês que talvez não conheçam Deus mas sentem no coração a exigência de canalizar todos os esforços em função do ideal de um mundo unido! 

Todos, de mãos dadas, tenham certeza: a vitória será nossa. 
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por - Chiara Lubich 

domingo, 10 de abril de 2011

“PARRESIA”

 Temos medo de nos aproximar do fogo; não queres mergulhar nele; temos medo de nos 
queimar. Mas Deus te diz: “Abrace-me, que sou fogo contagiante e você estará apaixonado por mim; é suficiente deixar-se queimar por esse amor”. O que é necessário para se deixar beijar? Simplesmente apresentar os lábios; o que é necessário fazer para inflamar-se? Permanecer dentro do fogo; isso leva tempo, mas acontece!
Vamos a uma historinha. Um senhor francês foi para um acontecimento noturno; ele estava muito elegante e segurava uma taça de champanhe. Então disse: “Senhora, como esse champanhe a faz ficar bela!”. E a senhora diz: “Mas eu não bebi champanhe nenhuma...” Ele diz: “Está certo, a senhora não bebeu, mas eu bebi uma garrafa inteira”. É a mesma coisa. Existem algumas mulheres que ao voltar da Missa dirão aos seus maridos: “Como a Missa faz você ficar amável, maravilhoso!” E o marido vai dizer: “Ih! eu nem fui à Missa, eu fui ver o futebol!” E a mulher vai dizer: “É, mas eu fui à Missa!” E quanto mais eu for à Missa, mais vou conseguir amar o meu próximo; eu vou beber o amor – “aquele que bebe o Meu sangue tem a vida em mim” –. É isso, estou “bêbado do Espírito Santo”, e “estou apaixonado”.

Essa assembléia é como um grande poço, onde muitos camelos – que são vocês –, vêm beber. O poço é o lugar onde há água, vida, alegria. E Jacó vai ao poço, procurar uma esposa (cf. Gn 29). Lá havia vários rebanhos, com diferentes pastores, pequenas comunidades diferentes... e chega Jacó! Eles todos estavam esperando, porque sobre o poço havia uma pedra muito grande que eles não conseguiam tirar, e todos os rebanhos, principalmente os animais mais jovens tinham sede. Chega Raquel, ela é jovem, é bela! Assim que Jacó vê Raquel, ele tira rapidamente a pedra, que se tornara “leve”, ele conseguiu tirar a pedra do poço e foi ele que deu de beber aos animais jovens do rebanho.

Primeiro, o amor nos faz fortes! Extremamente fortes! “E o amor foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”. A Santa Virgem conhecia Gênesis 29, ela sabia muito bem que Raquel de fato existiu e que essa Raquel já anunciava Maria; falando de uma maneira simbólica, assim que Deus viu Maria, a pedra do túmulo rolou. É por amor, um amor louco, inacreditável, infinito por Maria, ela que permitiu a Encarnação de Deus e assim permitiu também a redenção, mas ela também é nossa irmã; uma vez que eu tenho comigo o meu terço, sou como Raquel e Deus me olha rezando o terço e Ele tira a pedra do poço. Deus é apaixonado por mim! Essa é a boa nova. E, se nós cremos na boa nova, tudo mais é inútil, sem sentido. A declaração de amor de Deus para Maria foi de uma delicadeza extrema, e em Maria, que é a mãe de todos nós, na Igreja da qual Maria é a mãe, todos os dias e todo o tempo, Deus quer me dizer uma declaração de amor, e eu não escuto, não presto atenção... Deus não pode gritar. O rapaz que está apaixonado por uma moça, não vai no meio da rua gritando: “Maria, eu te amo!” Ele seria louco! E o que ele vai fazer? Ele vai convidá-la para um lugar muito agradável, com uma música romântica, vai limpar a garganta e fazer uma declaração de amor. Eu fiz besteiras terríveis na minha vida, mas nunca disse: “Eu te amo” a outra pessoa senão à minha mulher. E você, cuidado, para não desgastar essa palavra! Então, a primeira vez que você fizer uma declaração de amor, faça a uma pessoa, a uma jovem que você realmente ama; você tem medo que ela diga “Não”? Todos os homens sabem que quando uma mulher diz “não, não, não...” no final das contas, pode se dar um jeito. Mas, se ela diz: “Ah! nem te ligo”, aí sim, o rapaz fica tímido, porque ele tem medo da indiferença! O amor tem medo da indiferença, e se pode dizer, de certa maneira, que Deus é tímido.

Se um rapaz quer falar a uma moça e ela fica falando, falando, falando, em hebraico ele diz: “Shemma”, que significa “Escuta!” Um escriba perguntou a Jesus: Qual é o 1º Mandamento? (cf. Mc 12,29). E Jesus respondeu: “O primeiro Mandamento é “Shemma, Israel”, que significa “escuta, Israel, amarás o teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças, e ao teu próximo como a ti mesmo”. Escute bem, a primeira palavra do primeiro mandamento é “Shemma”. É porque entenderam isso, que jovens, pessoas adultas, pessoas de idade, passam duas horas diante do Santíssimo Sacramento. É impossível amar sem escutar. É impossível deixar que Jesus faça a sua declaração de amor sem escutá-lo. Enquanto eu digo isso, há alguns aqui tocados por essas palavras; é normal, é o Espírito Santo em você, que te chama a escutar, você tem desejo de ir adorar; “Sim Senhor, eu quero Te escutar; eu quero fazer “Shemma”. Vocês, que experimentam isso agora, não reprimam essa idéia, não desistam desse chamado. Deus chama você, talvez, a grandes momentos de oração com Ele. Então, uma vez que Deus disse “Shemma” e a jovem aceitou, então Deus vai começar a fazer a sua declaração de amor.

E agora vou contar uma parábola. O filho de um rei, muito bonito e muito rico, se apaixona por uma jovenzinha do campo, que não sabe ler, é pobre, muito suja, sem nenhuma beleza, e além do mais é malvada. Coitado desse príncipe! Como se explica ele ter ficado apaixonado por essa moça? Atenção! Não estou falando de Raquel, nem da Santa Virgem, é uma pequena jovem, suja, analfabeta, burrinha, feia e malvada... sou eu mesmo; e o diabo deve dizer ao filho do rei (que é Jesus): “Você viu o Dudu? Você, Deus, é inteligente! Você fez o Dudu”. E Jesus responde: “Sim, mas eu o amo!” Então, o que é que o filho do rei vai fazer? Talvez ele chegue com o seu belo carro, suas belas roupas, seu telefone celular, todos os seus dentes perfeitos, e vá dizer: “Dudu, eu te amo, tu queres tornar-te meu esposo? Ir para o palácio do meu pai?”. O que eu vou dizer a esse Rei que me convida a ir ao seu castelo e me casar com Ele? “Sim, meu príncipe!” É exatamente assim que acontece com Deus. Como se chama uma senhora de quem se tenta comprar o amor com cartões de crédito, com belos dentes, com carros?... Se eu tenho um pouco de dignidade, vou dizer: “Por que você vem aqui me oferecer esse cartão de crédito, com teu belo sorriso! Você me respeite!” O príncipe vai ficar bloqueado, sem saber o que dizer. Por outro lado, se a jovem diz: “Sim, meu príncipe”, ele vai ficar sem saber se é por causa do que ele tem. E essa questão é profundamente importante quando se fala de amor. Todos nós temos sede de ser amados e não pelo que temos. TODOS! Inclusive Deus.

Então, o que Ele vai fazer? Ele vai se vestir como uma pessoa inferior, vai deixar o seu castelo e vai procurar onde é a casinha da sua jovem. Ele vai chegar cheio da poeira do caminho e vai ser insultado pelas pessoas daquela cidade, que não o conhecem; ele vai ser humilhado, vai ser batido, vai receber uma surra das pessoas da cidade. Mas Ele vai perservar até o fim, porque Ele a ama. Aí, Ele finalmente chega à porta do meu coração. Ele não vai dar um chute na porta para abrir, não vai forçar, o amor não pode forçar; se o amor forçar, não é mais amor. Deus é amor (1Jo 4,16). Deus não pode forçar você, Ele só pode mendigar. Ele vai bater à porta, durante muito tempo, porque eu não escuto bem; e quando eu ouvir, eu vou, lá de dentro, gritar: “Quem é?” E Ele vai dizer: “Sou Aquele que te ama! Eu sou o amor; sou o amor da tua vida”; e aí eu vou dizer: “Tudo bem, pode entrar”. Ele vai dizer: “Eu não posso! A porta está fechada, abre!” Então, vou tentar abrir, mas não consigo. Vou puxar, forçar, durante “anos”. E para abrir a porta do meu coração, é preciso que eu recue. Ah! mas eu não gosto! Eu não gosto de recuar.

A prova de que recebemos a efusão do Espírito é quando nós, sem nenhuma hesitação, aceitamos “puxar” a porta, “recuar”, nos abaixar, deixar que Deus faça. Aí a porta se abre. E o que eu vejo? O Leão da Tribo de Judá bonito, glorioso, com todos os serafins e querubins? Não! Eu vejo o Cordeiro Imolado. Ele não tem todos os bens que eu queria, a saúde, a riqueza, o bem estar, o sucesso... As suas mãos estão vazias, feridas. É assim o Amor, crucificado. Deus é inacreditavelmente POBRE! Se você pudesse saber a vulnerabilidade de Deus, nesse momento da Efusão do Santo Espírito..., quando enfim a porta se abre dentro de nós. Não é o Leão de Judá, não é a vitória dos Apóstolos, não é Aquele que faz milagres, isso tudo virá depois, mas é o Cordeiro Imolado, que olha para você e diz: “Você confia em mim? Faz tanto tempo que te procuro. É na droga, é na sexualidade, faz 17 anos que eu te procuro, e você tem 22 anos e ainda não me fez entrar em seu coração”. E há muitos de nós nessa situação, e nesse momento Jesus diz: “Eu não tenho nada para te provar que sou o Filho de Deus Pai Todo Poderoso, mas eu te amo, confia em mim. Deixe-me entrar como sou, não me peça presentes agora...”

É essa a declaração de amor de Jesus! E aí você vai dizer: “Mas é terrível, nós nos arriscamos a cometer um engano, é arriscado dizer “não” e aí tudo se perde”. Mas se você disser: “Maria, ensina-me a escutar a declaração do amor de Deus, ensina-me a deixar Jesus entrar, como Ele é”, não como eu quero, mas como Ele é, com as mãos vazias sobre a cruz aos pés de Jesus. É preciso ter docilidade ao Espírito Santo. E aprender a conciliar Marta e Maria, oração e apostolado. Eu creio que vocês trazem um carisma de missão que ainda não se desenvolveu, que está ainda muito pequenininho, como um grãozinho e isso se tornará, eu sei, uma grande árvore. Vocês são responsáveis por esse carisma que vocês trazem; vocês não têm direito de calar-se; se vocês se calarem, as pedras gritarão. O Brasil é muito grande, 240 dioceses, é preciso partir 2 a 2, 3 a 3..., partir, por todo canto do Brasil, colocando fogo, incendiando! A partir de hoje, a partir do final da Missa, é preciso falar de Jesus a 10 pessoas que não conhecem Jesus. Se eu voltar aqui antes de Jesus voltar, vou perguntar a vocês onde vocês estão, então vocês vão me responder: “Nós fomos pela Amazônia, nós fomos pelas favelas... pelos lugares desertos, fomos pelos subúrbios de São Paulo, fomos até os confins do Brasil e o Brasil está em fogo... Façam com que quando eu voltar, se Jesus não tiver voltado, o Brasil esteja em fogo, ou então o Senhor me fará vir aqui e colocar fogo, e fazer vocês trabalharem à força. Por isso, que Ele esteja já todo em fogo e vocês possam atravessar o Atlântico e tocar fogo na França, em gratidão!


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por
Revista Shalom Maná - ED. Shalom

A vida não é uma balada

O direito de se divertir e encontrar os amigos para algumas horas de distração  juntos, nunca pode tirar, da consciência, o dever de cuidar-se e cuidar dos outros. Os encontros sempre foram uma oportunidade bonita de estreitar laços de amizade e construir relacionamentos verdadeiros. As baladas são uma oportunidade positiva, para quem tem a cabeça no lugar, assim outros ambientes sociais, e podem conduzir a uma verdadeira vivência dos valores da vida humana, como por exemplo a amizade, o respeito e a valorização do outro e da vida. Somos ou não somos corresponsáveis para criar um mundo melhor? Acreditamos ou não que a vida é presente de Deus e que deve ser preservada a todo custo?
    Diante de tantos fatos de jovens se matando no trânsito, excedendo em bebida alcoólica,  em drogas que afetam diretamente a consciência e o correto uso da razão; diante das reuniões exclusivas para determinados grupos sociais; diante da diversidade de opções que levam jovens ou adultos a viverem alienados em um mundo ilusório, acreditando serem felizes, pergunto: Quantas vidas foram e estão sendo ceifadas, a cada dia, por causa dos abusos e extravagâncias? Como convencer esta gente que pensa que a vida não vale nada? Como os pais podem ficar tranquilos em casa em um fim de semana, sem ver os filhos de volta? Quando e como voltam? Quantos não voltaram, senão em um carro funerário!
    Como parte deste mundo imundo, não podemos estar de braços cruzados. Muitas iniciativas foram tomadas e estão sendo levadas a bom termo. Atitudes de repressão, como também de educação e de prevenção, são realizadas em todos os ambientes, com o objetivo de proporcionar qualidade de vida e favorecer a construção de uma sociedade cada vez mais solidária e segura.  Além de todo o trabalho feito, a prevenção e a verdadeira educação vêm da família, onde, desde pequenos, aprendem a viver os limites da vida, onde aprendem o quanto vale cada coisa que usam, sabem de onde veio e quanto suor custou. Ao mesmo tempo, aprendem, com os pais, o caminho da igreja, do amor e o temor de Deus. Desde o colo materno e paterno os pequenos aprendem que a vida vale mais, que acima de tudo temos um Deus que nos ama e nos quer ver felizes, aqui e na eternidade.
    Sem querer fazer dos filhos estátuas ou múmias sem sentimentos ou desejos, os pais devem, como missão, oferecer um caminho onde saibam valorizar o pouco, onde saibam viver na abundância e na carência, onde aprendam deste a tenra idade a orar e dobrar os joelhos, reconhecer que não estão sozinhos. Ninguém pode furtar-se a esse dever. É puro engano pensar: Vou deixar meus filhos crescerem e quando grande eles decidem o que querem seguir. A primeira escola, a primeira igreja, a primeira professora, o primeiro catequista é a sua casa, é o seu colo, é sua experiência de Deus. Quantos pais e mães, vazios de Deus, sem nenhuma experiência espiritual para apresentar aos filhos! Ninguém dá o que não tem.  Com certeza, muitos deram tudo, menos o essencial. Com certeza, muitos não tinham nada e deram o que tinham: o amor e o carinho de quem acredita que a vida é dom de  Deus Pai. Assim vamos contemplar um mundo, onde a morte não ocupa o primeiro lugar e nem nossas ruas ficarão manchadas de sangue de inocentes e de irresponsáveis que matam e morrem. A vida não é uma balada.
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por -  Dom Anuar Battisti

domingo, 27 de março de 2011

Vocação: Chamado de Deus


Shalom Maná: Você poderia falar sobre o que é vocação? 

Marcelo Freitas: Sabemos que a palavra vocação vem do verbo latino "vocare", que significa "chamar", ou seja, toda vocação compreende um chamado. Assim, toda vocação comporta aquele que chama (Deus) e aquele que é chamado (o homem). O tema vocação é profundo e muito abrangente, uma vez que Deus está sempre a nos chamar. Ao sermos gerados, Deus nos concede nossa primeira vocação, que é o chamado à vida. Em seu desígnio de amor, chama-nos também à filiação divina, à santidade e a uma vocação específica, através da qual amaremos e serviremos mais e melhor a Ele, à Igreja e aos homens. Na verdade, até no momento da nossa morte Deus está nos chamando, e que grande chamado o dessa hora: habitar eternamente na casa do Senhor. 

Como acontece um despertar vocacional? 

Deus é o autor de toda verdadeira vocação e por isso Ele é o primeiro interessado nela. Em sua divina providência, serve-se constantemente de mediadores para que despertemos para o seu chamado, que é sempre um chamado de amor e para o amor. Essas mediações podem acontecer através de pessoas, objetos, situações, que de alguma forma fazem o jovem perceber que um plano amoroso e sobrenatural o envolve e que uma voz, ao mesmo tempo terna e forte, o chama. Aquela mediação exterior encontra uma ressonância interior e dessa forma se dá o despertar vocacional. Existem pessoas que se descobrem vocacionadas ao partilhar com um irmão consagrado a Deus, outras ao participar de uma cerimônia de ordenação sacerdotal, outras ainda através de um folder vocacional, de uma palestra, sei lá, de tantas maneiras, pois Deus se serve de tudo para nos atrair ao seu projeto para nossas vidas. 

Como uma pessoa sabe que determinada vocação é a sua? 

Um homem casado sabe que não foi preciso conhecer todas as mulheres do mundo para escolher a sua, pois em um determinado momento de sua história ele encontrou aquela que para ele era diferente, que o completava de uma forma única. O mesmo podemos falar de vocação. Ninguém precisa sair "caçando" a sua vocação. Se estivermos abertos e possuirmos um coração sincero, Deus vai nos fazer encontrar a nossa vocação, o seu chamado para a nossa vida, e quando isso acontece passa a existir uma identidade com aquele carisma, com aquele estado de vida, com aquela vocação. Descobrimos que fomos criados para aquilo e que ali está nossa realização, nossa felicidade. 

O que uma pessoa que está buscando sua vocação deve fazer? 

Como já disse, é preciso ter primeiramente abertura e sinceridade para conhecer e fazer a vontade de Deus, pois não basta querer saber a vontade de Deus se não temos disposição para cumpri-la. Depois, é fundamental uma autêntica vida de oração, uma vez que é Deus o autor do chamado e é sobretudo na oração que se escuta a sua voz. É de grande importância também estarmos abertos às manifestações da providência de Deus que nos fala de diversas maneiras, porém, sem vida espiritual, sem contemplação, não saberemos o que realmente é sinal de Deus e podemos chamar os nossos próprios desejos de voz de Deus. Deve-se ainda buscar o auxílio de uma pessoa mais amadurecida, mais caminhada, pois ninguém é bom juiz em causa própria, como diz Santa Teresa de Jesus. 

Quais são as verdadeiras motivações para uma pessoa abraçar determinada vocação? 

É claro que quando um jovem se sente atraído a uma determinada vocação ele traz uma série de motivações: a vida em comum, o serviço ao outro, a missão, tantas coisas. Mas Deus é a única motivação suficiente para que alguém abrace uma vocação. Era esse o critério de admissão na vida monástica. Quando alguém batia à porta do mosteiro, o abade perguntava: o que desejas? A única resposta coerente era: desejo Deus, quero Deus. Se a resposta fosse outra, por mais bela que fosse, ele não era recebido entre os monges. Para melhor amar e servir a Deus deve ser a motivação de alguém que contrai matrimônio, que se consagra na vida religiosa ou que se ordena sacerdote. Devemos sempre nos perguntar: como e onde posso melhor amar e servir ao meu Senhor? Na resposta a essa pergunta está a nossa vocação. 

É verdade que faltam vocações para o sacerdócio e para a vida consagrada? 

Particularmente acho que não. Dizer isso é afirmar que o homem de hoje não tem mais anseio de grandes ideais e que Deus não mais convida as pessoas a seguirem seu Filho. Graças a Deus existem muitas comunidades, congregações e seminários repletos de jovens que desejam consumir sua existência no serviço do Reino. João Paulo II diz que as vocações brotam como uma resposta de Deus a uma comunidade orante. Penso que quando "faltam" as vocações é porque faltam comunidades suplicantes, ajoelhadas. Faltam institutos fiéis ao carisma do fundador, faltam consagrados que testemunhem com alegria o dom da sua pertença ao Senhor. Quando temos autenticidade, contemplação, radicalidade evangélica, amor a Deus, à Igreja e à humanidade, temos abundância de vocações, os jovens se sentem atraídos e motivados a seguir Jesus pelo caminho da pobreza, obediência e castidade. 

O que é a Assessoria Vocacional e qual sua finalidade? 

A Assessoria Vocacional é um setor do governo geral da Comunidade Católica Shalom que tem como missão despertar, animar, acompanhar e discernir as vocações para a Comunidade. Trabalhamos através de grupos vocacionais que se reúnem mensalmente e de acompanhamentos pessoais periódicos. 

Como uma pessoa sabe que o seu chamado é para a Vocação Shalom? 

Como eu já respondi em uma das perguntas, ninguém precisa sair "caçando" sua vocação, pois quando você encontra a sua o seu coração bate diferente, você se identifica, descobre o seu lugar. Quando alguém é chamado por Deus para a vocação Shalom ele se identifica com a nossa forma de ser, de viver, de servir. Identifica-se com o chamado que temos para a contemplação, unidade e evangelização. Identifica-se com a nossa forma de viver a pobreza, a obediência e a castidade. Encontra-se na nossa missão de discípulos e ministros da Paz, com a vida missionária, com nosso grande amor pela Igreja e assim por diante. 

Qual é o processo para uma pessoa ingressar na Comunidade Católica Shalom? 

Se esta pessoa reside em uma cidade onde temos casa ela deve engajar-se em um dos nossos grupos vocacionais, caso contrário, deve escrever para a Assessoria Vocacional e solicitar um acompanhamento por carta. Depois de um bom tempo de caminhada no grupo ou no acompanhamento por carta o candidato faz um período de experiência e por fim um retiro vocacional. Após o retiro, se ela realmente se sente chamada à Vocação Shalom, então solicita ingresso no postulantado. Em seguida, com a anuência das autoridades da Comunidade, faz dois anos de noviciado e depois pode realizar sua primeira consagração com votos temporários. 

O que você diria para alguém que está discernindo sua vocação? 

Eu sempre digo que se fosse necessário passaria por tudo novamente, faria as mesmas opções, para estar onde hoje estou: no interior da Comunidade. Encontrar seu lugar, a razão da sua existência é a melhor coisa da vida. Se você está caminhando em um processo de discernimento vocacional tenha coragem, saiba enfrentar as barreiras e os obstáculos, lute por esta pedra preciosa que é a sua vocação. Saiba que Deus não tem uma armadilha para você e que o chamado dele é sempre para a felicidade, pois para isso é que fomos criados. Repito: coragem. Estarei rezando por você. Shalom! 

Acompanhamento Vocacional por Carta 

Se você deseja conhecer mais a nossa vocação e iniciar um caminho de discernimento vocacional, Entre em contato conosco! 
- Projeto Juventude para Jesus
  A humanidade toda – sobretudo a juventude – tem sede de radicalidade, da verdade, de liberdade. Diante da descoberta do amor de Deus, nossa vida se enche de sentido, tudo ganha novo colorido, o qual queremos manter. Aí entra a Igreja, fiel depositária e mestra por excelência de tão grande amor.
   Depositária e doadora de Jesus Eucarístico
   A Igreja é mãe, e como uma mãe zelosa e amorosa, alimenta seus filhos a fim de que cresçam fortes e saudáveis. Este alimento é a Eucaristia. Jesus se veste de fraqueza e nos oferece tudo, aliás, se oferece todo a nós: seu corpo, sangue, alma e divindade estão ali, ao nosso alcance e à nossa mesa!
   E dando-se todo, realiza em nós aquela revolução à qual o Papa João Paulo II nos convida e aponta o caminho: “Jovens de todos os continentes, não tenhais medo de ser os santos do novo milênio. Sede contemplativos e amantes da oração, coerentes com a vossa fé e generosos no serviço aos irmãos, membros vivos da Igreja e artífices da paz. E para realizardes esse importante projeto de vida, é preciso permanecer na escuta da palavra, haurir vigor dos sacramentos, especialmente da Eucaristia e da penitência”.
   Para conseguirmos manter a chama do amor acesa, o caminho é a oração. “A sós, com aquele que sabemos que nos ama”, colhemos o seu amor e aprendemos a retribuí-lo como Deus mesmo nos ensina. Mas não é suficiente rezar sozinho, aquela oração pessoal precisa ser fortalecida por momentos de oração em comum; aí corremos para a Missa, onde, unida, a comunidade dos fiéis rende graças ao Senhor por suas maravilhas.
Sustentados pela força do amor, alimentados pelo pão do céu, seremos membros vivos do corpo místico de Cristo (a Igreja), protagonistas da história, e não meros coadjuvantes.
   Casa de acolhida e serviço
   “Toda a Igreja é apostólica na medida em que é ‘enviada’ ao mundo inteiro; todos os membros, ainda que de formas diversas, participam deste envio” (Cat, 863).
Depois de ter nossa vida transformada e iluminada pela descoberta de que somos pessoal e infinitamente amados por Deus, não podemos guardar isso somente para nós. Sentimos a necessidade de dizer ao mundo o quanto somos felizes; queremos que toda a humanidade faça essa descoberta também, e fazemos essa “divulgação” da boa nova através das nossas palavras, sim – porque “a boca fala daquilo que o coração está cheio” –, mas sobretudo através da nossa vida, é ela que realmente testemunha a conversão que Cristo opera em nós.
   Na Igreja, somos acolhidos e aprendemos a acolher. Aprendemos a servir aqueles que chegam, que, por sua vez, depois de fortalecidos pelo pão da vida, também estarão fortes o suficiente para servir, porque Jesus ensinou: “Não vim para ser servido, mas para servir”.
Às vezes, na escola ou nos ambientes em que vivemos, as pessoas ficam espantadas com a nossa disposição de servir, de ajudar – nas pequenas coisas, mesmo: arrumar as cadeiras que estão bagunçadas antes da aula, apagar a lousa, emprestar o caderno para alguém que perdeu a aula anterior, tirar dúvidas de alguém em alguma disciplina... –, de não falar mal das pessoas nem julgar os professores, de saber o nome dos funcionários, especialmente os de cargos menos valorizados, e conversar com eles etc. Essa disposição de ir ao encontro do outro e ver nele Jesus nos é ensinada pela mãe Igreja, e essa nova forma de vida nos faz muito felizes!
   Na fase em que nos encontramos, somos “inquietos”, queremos mudar o mundo, desejamos implantar a verdade e a bondade na sociedade. Na Igreja, aprendemos que isso é impossível, mas que é possível dar a nossa parte, o nosso contributo para que algo – pela graça de Deus – mude em nós mesmos e nos ambientes em que vivemos, pois se plantamos paz, o que colheremos? Se plantamos amor, gratuidade e serviço, o que nos espera? A fé nos responde que Deus não decepciona.
   Uma experiência
   Como é próprio do jovem, sempre tive sede de novos desafios.
   Há algum tempo surgiram desafios alucinantes: drogas, álcool, sexo... Buscando lugar de destaque entre os “amigos” ou tentando ser o “radical”, ia sempre além do que podia. As drogas e o álcool foram tomando conta do meu ser, até que já não dormia sem estar sob o efeito de alguma coisa.
   O tempo ia passando e eu me afogando em minha própria lama. Porém, um “anjo” me socorreu: convidou-me a participar de um Seminário de Vida no Espírito Santo, dizendo que aquela seria uma “viagem” única para mim. Realmente foi! Encontrei e reconheci Jesus como meu Salvador e Ele tomou conta do meu ser.
Hoje, renovado pelo seu corpo e pelo seu sangue, vivo na esperança de subir ao céu e contemplar a face do meu Senhor!

quinta-feira, 24 de março de 2011

Diversão? Sim! Pecado? Não!


- A juventude é um tempo em que estamos particularmente predispostos à alegria; à procura de divertimentos; abertos à novas experiências e sensações. É um tempo em que é praticamente impossível ficar parado! Nos envolvemos fácil e naturalmente em atividades agitadas que possam nos proporcionar “felicidade”, algum prazer, uma sensação de liberdade, de potência; de juventude mesmo. Temos necessidade de certa dose de aventura, precisamos descarregar adrenalina, colocar para fora toda a energia que temos armazenada em nós; e isso é muito bom. É sinal da nossa juventude, vitalidade e saúde física e mental.


Para encontrar o que procuramos, nos são oferecidas inúmeras opções. Esportes radicais para todos os gostos: rappel, mountain bike, trilha, skate, surf, bungee jump, alpinismo, snowboard (se bem que, no Ceará, sandboard é mais apropriado pela falta de neve...); Filmes de todos os gêneros: drama, policial, aventura, suspense, ficção científica, terror, romance “água com açúcar”; tudo isso sem falar nos muitos tipos de Festa que aparecem por aí todos os dias: festa à fantasia, luau ”não sei de quê”, uma noite “não sei onde”, as raves (aquelas festas meio clandestinas em que se ouve música e se dança ao ar livre ou em tendas), festivais de rock, boites... há também aquelas festas cujo tema são bebidas alcóolicas: festa da Tequila, festival da cerveja... Além de músicas nos mais variados ritmos, com letras com igual (ou até maior) variedade de níveis, para “dançar a noite inteira” ou então para “ouvir comendo chocolate”, como se costuma falar.


Sem dúvida, um verdadeiro banquete para os nossos sentidos!


Como sabemos, os sentidos são como que portas que dão aceso à nossa alma; e justamente por isso precisamos ter todo cuidado com aquilo que, de certa forma, permitimos que passe através delas. O bombardeio de sons, palavras, imagens, sensações enfim, nos fragiliza, nos deixa praticamente sem defesa; acaba por roubar nosso coração e pensamento do Bom, do Belo e surge em nossa consciência uma espécie de cortina de fumaça, que dificulta a distinção, a separação do que é bom e lícito para nós, daquilo que não nos convém como cristãos, como filhos muitíssimo amados de Deus. Desse modo, acabamos por expor nossa alma, nosso ser mais íntimo e as nossas faculdades (memória, afetividade... e especialmente a imaginação) à contaminações e feridas que poderiam muito bem ser evitadas se soubéssemos nos preservar, se ficássemos mais atentos ao que “engolimos” através dos nossos sentidos.


Selecionar nossos divertimentos de modo algum nos fará “menos jovens”; mas certamente nos tornará mais responsáveis por nós mesmos e pelas nossas escolhas, jovens maduros, que sabem do valor inestimável que têm e por isso zelam por si mesmos e pelos outros. Não é, de modo algum, impossível ser jovem, ser alegre e se divertir (e muito!) de maneira saudável; sem abrir espaço ao pecado e à contaminação pela via dos sentidos.


É preciso que tenhamos sempre a consciência de que somos Templo do Espírito Santo (cf. I Cor 6,19) e, portanto, precisamos vigiar rigorosamente a entrada da habitação do Senhor e glorificá-lo na nossa vida e no nosso corpo.


É urgente que estejamos atentos sempre e em todo lugar; que deixemos as obras das trevas e vistamos as armas da luz, assim nos fala S. Paulo na sua carta aos Romanos (cf. Rm 13, 11-14). Ele continua: “vivamos honestamente, como em pleno dia: não em orgias e bebedeiras, prostituição e libertinagem, brigas e ciúmes. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não sigais os desejos dos instintos egoístas”. Como vemos, a sociedade daquele tempo tinha feridas parecidas com as nossas, não é verdade?


Então, em vez de ocuparmos nossos sentidos e faculdades com divertimentos que não fazem outra coisa senão nos empurrar para o pecado; nos “ocupemos com tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honroso, virtuoso, ou que de algum modo mereça louvor”.(cf. Fl 4,8) Assim seremos capazes de uma alegria perene, que não está condicionada ao uso de entorpecentes ou qualquer coisa semelhante, e principalmente, seremos capazes de divertimentos verdadeiros, que não contrariem nossa natureza.


Como jovens cristãos precisamos, sim, nos divertir. Mais ainda, precisamos ser alegres; mas acima de tudo, temos em nosso coração uma necessidade profunda de nos preservar daquilo que nos corrompe e afasta do Amor, sentido último da nossa existência.


Zelar pela nossa pureza, pela correção do nosso modo de agir, de vestir e de nos comportar; lutar pela pureza do nosso olhar, pela castidade no nosso modo de dançar; nos nossos relacionamentos cotidianos; selecionar as músicas que ouvimos; os lugares que freqüentamos; os filmes e programas que assistimos, nos recusando a prestigiar espetáculos degradantes... Tudo isso reflete a profunda gratidão do nosso coração ao Deus que nos ama e nos fez de modo tão maravilhoso!

BIBLIOGRAFIA
AUZENETE, Dominique. O Amor em treze etapas. Editora Paulus. Portugal: 2000.

Fonte: Revista Shalom Maná

domingo, 20 de março de 2011

Onde os jovens buscam e encontram a felicidade


- Arrumando meus velhos livros de estudante ginasial, empoeirados e esquecidos na pequena estante da sala, descobri um texto que, a uma altura de dez anos, me fez perceber quanta riqueza humana se esconde nas entrelinhas capaz de transformar uma historieta juvenil em uma fonte insondável de sabedoria. Era o conto Serespaperconfi, de Pedro Bandeira, com o qual já havia me deliciado antes e que agora ganha um sabor novo quando contrastado com a realidade afetiva dos tantos jovens de hoje. Fala da vida de quatro meninas que, embaladas pelas festinhas de sábado à noite, procuram ao máximo ficar com os gatinhos da escola para depois repassarem entre si os momentos mais envolventes, num ritmo de gostosa fofoca. Todas são bastante experientes, menos a introspectiva Marina que, nova na trupe, ainda não se habituou ao fulgor das outras e nunca experimentou o transe de uma boa ficada. As outras, num primeiro momento surpresas, decidem, então, lançá-la nos braços do mais novo galã da escola, amante do violão e transferido de uma cidade do interior, iniciando-a nas artes da paquera, ignorantes do fato de que esse mesmo rapaz já esquentara o coração de Marina.


No apartamento de uma delas, tudo é arranjado: a roupa mais transada, a música mais romântica, o clima mais agradável. O coração da pobre Marina dando sobressaltos e suas amigas, empolgadas, marcando o lanche num bar ali perto, esperando o fim da ficada para saberem de tudo. Enfim, o rapaz, Renato, chega, e os dois, na penumbra gostosa daquele fim de tarde de inverno, com aquela música suave ao fundo, vão se descobrindo em carícias, até que, num sobressalto, Marina breca tudo e foge, entre atarantada e envergonhada, para incógnita de Renato e das meninas.


O comportamento de Marina assombra a todos eles, mas a faz refletir em seu coração a profundidade do seu sentimento por Renato, descobrindo em si a pureza de um amor que deseja não uma ficada, mas uma entrega total e resoluta. Renato, para quem aquela quase-ficada deveria ser esquecida, assusta-se pelo fato de Marina não sair de seu pensamento. Procurando-a, descobre nela a sinceridade do afeto e indaga-lhe seu segredo. Ela, sacando de uma gramática, ensina-lhe a sabedoria dos verbos de ligação.


Para quem não gosta muito de gramática, é bom relembrarmos o que são os verbos de ligação. Estes são os que ligam o sujeito da frase a uma palavra que lhe qualifica, indicando um estado ou uma característica que lhe são próprios. Tal palavra é o predicativo do sujeito. A grandiosidade do conto reside quando fazemos o paralelo dele com a afetividade dos adolescentes de hoje, marcada pelo “ficar”, pelo transitório, pelo descartável, profundamente deslocada e fonte de inúmeras feridas. Tomando ao pé da letra, poderíamos expor, à luz do ensinamento gramático acima, a teoria do relacionamento ideal para os jovens de hoje. O sujeito, ou melhor, os sujeitos (haja vista que, no namoro, o sujeito é composto) são aqueles que encontram entre si afinidades bastantes para ficarem juntos, a ponto de iniciar uma relação. O predicativo seria, como já dito, aquilo que os qualifica (e santifica), enquanto seres humanos e dotados da graça da filiação a Deus. Ora, o melhor qualificativo dos cristãos é a própria Trindade que, em constante e perpétua relação de amor, ensina aos seus a profundidade da descoberta do outro enquanto conseqüência e causa de si mesmo. O verbo de ligação é aquilo que une os dois, sujeito e predicativo, fazendo-os imagem e semelhança, para que a Graça que impera no segundo seja o sustentáculo da química do primeiro. Pronto, temos a oração perfeita! Ops, oração é palavra chave...


Quando, na intimidade do namoro colocamos a estatura de Deus como objetivo de santidade e castidade, pela via da intimidade e da escuta, temos esta relação de amor contínua, traduzida em forma de constante oração.


Marina, apresentando a gramática a Renato, diz que não deseja apenas ficar com ele, mas ser dele, estar com ele, parecer ser dele, permanecer com ele, continuar com ele... Usando, enfim, de todos os verbos de ligação, mostra a via estreita do verdadeiro amor, que deve, sob a inspiração de Cristo, ser alicerçada na verdade e na busca do verdadeiro sentido da afetividade. Num texto encontrado no portal da Renovação Carismática do Brasil, encontrei esta frase conclusiva: “Namorar é dialogar!” Na relação de entrega que os filhos fazem ao Pai, da sua vida amorosa e da missão que essa relação resume, há a concordância de afeto e a purificação de intenções, mostrando-se a verdadeira missão do conviver e do amor esponsal.


O catecismo da Igreja nos diz que “Deus, que criou o homem por amor, também o chamou para o amor, vocação fundamental e inata de todo ser humano. Pois o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, que é Amor” (CIC 1604). Ajuntar ao seio da relação a honrosa presença de Deus é atestar na vida em comum a vontade de elevar o amor à dimensão divina, colocando o Senhor na intimidade mesma do casal, como elemento que o cimenta. Disso depreende-se que o simples “ficar” não se compatibiliza com a verdadeira vocação do homem, que é o amor, pois aquele verbo, embora seja de ligação, é insuficiente para a prática do amor ao qual Deus nos incentiva. Ele transforma o outro no descartável, no facilmente dispensável, transformando-nos em autômatos, frágeis porque distantes da nossa verdadeira vocação. Foi por isso que Marina, a sábia personagem do conto, saiu à cata dos outros verbos de ligação, pois eles todos, juntos, tornam perfeitos os desígnios de Deus para nós. Ela mesma sentiu a imperfeição do “ficar” por si mesmo, procurando o algo mais, que Deus pede de nós em nosso namoro, na conjunção do continuar , do permanecer , do ser , do estar , do parecer ... É Deus que, implantando-se no seio do namoro, etapa fundamental da relação entre homem e mulher, opera entre eles a complementaridade, “de modo que já não são dois, mas uma só carne” (Mt 19,6).


E Renato, depois da exposição de Marina, o que fez? Ligou para ela no dia seguinte, a voz ainda indecisa, dizendo: “Eu... queria... Eu queria serespaperconfi com você...”.

Shalom Maná