“A vocação Shalom é um chamado de Deus que se dirige a todo e qualquer membro batizado do povo de Deus que, tendo feito a experiência com o Ressuscitado que passou pela cruz e que batiza no Espírio Santo (Jo 20, 19-22), recebe o apelo de segui-lo segundo o espírito desta vocação... Cabe à Comunidade ter a sabedoria e o discernimento dados pelo Espírito de Deus, para, através de sua vivência, despertar e discernir novas vocações” (Art. 26 ECCSh)
À partir desse artigo dos estatutos da comunidade quero partilhar com vocês algo muito importante, algo que compromete a nossa vida e muda o rumo da nossa história. Gostaria de partilhar o chamdo de Deus e a nossa resposta. Muitas vezes diante da nossa caminhada com Deus trazemos no coração uma voz que inquieta e que não sabemos traduzir bem. Porém, junto com essa inquietação vem uma certeza: Deus nos chama a darmos mais do que estamos dando. Parece que Ele não quer “simplesmente” a nossa oração, a nossa participação na eucaristia ou o nosso compromisso com o grupo de oração. Vai ficando claro (apesar dos medos e das inseguranças) que Deus quer a nossa vida e não simplesmente os nossos atos ou compromissos. Nasce, então, dentro do nosso coração uma sede de ofertarmos toda a nossa vida a Deus. Mas, junto com essa sede, nasce a grande pergunta: “Onde?” e “como?” e “será que serei capaz de viver?”. Diante dessas perguntas todos devem começar a buscar descobrir o plano de Deus, pois só o plano que Deus pensou responderá a essas perguntas e para isso se faz necessário um caminho de acompanhamento vocacional para entedermos e vivermos o que Deus quer de cada um de nós. A nossa oração deve ser como a de São Francisco de Assis que rezava a Deus dizendo: “Senhor que queres que eu faça?” ou em outras palavras podemos dizer: “Senhor qual a tua vontade para mim?”, “Senhor, como saciar essa sede que tenho no coração por esse algo mais?”. Quanto mais rezamos, vamos a missa, adoramos, vamos para o grupo de oração mais Deus faz crescer essa inquietação.
Meus irmãos, se essa pequena partilha que escrevo é uma verdade para você está na hora de você viver um caminho de discernimento vocacional. Se você tem o desejo de conhecer melhor à vocação Shalom ou quer tornar-se um vocacionado Shalom é só escrever para o endereço que está nessa página da revista ou visitar o site www.comunidadeshalom.org.br/vocacional e clicar na parte: DESEJO SER UM VOCACIONADO.
“O irmão que se sinta vocacionado à comunidade deve submeter-se a um processo de acompanhamento vocacional. Após esta primeira etapa de discernimento de sua vocação, submete-se a um caminho em três etapas: Postulantado, Noviciado e Consagração.” (Art. 30 ECCSh)
Esse caminho vocacional o ajudará a discernir o chamado de Deus, bem como a sua resposta. Todos que trazem o apelo no coração de anunciar a PAZ ou o SHALOM precisam estar conscientes que trazemos um chamado de consagrarmos toda a nossa vida à Deus pela vida de oração, vida fraterna e serviço exclusivo na evangelização.
Gostaria de terminar essa pequena partilha dirigindo uma palavra aos jovens e para isso vou usar uma frase do documento “VITA CONSECRATA” do nosso amado papa João Paulo II: A vós, jovens, digo: se sentirdes o chamado do Senhor, não o recuseis! Entrai, antes, corajosamente nas grandes correntes de santidade, que foram iniciadas por santas e santos insignes no seguimento de Cristo. Cultivai os anseios típicos da vossa idade, mas aderi prontamente ao projeto de Deus sobre vós, se ele vos convida a procurar a santidade na vida consagrada. Admirai todas as obras de Deus no mundo, mas sabei fixar o olhar sobre aquelas realidades que jamais terão ocaso.”
Deus espera a sua resposta!
Shalom!
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por Gleidson Bezerra
quinta-feira, 14 de abril de 2011
terça-feira, 12 de abril de 2011
No mundo de hoje, o que diria Jesus
Sabemos que Deus, ser espiritualíssimo, é amor. Por conseguinte, o amor é o elemento espiritual mais ansiado: aquele amor que Deus, ao fazer-se homem, trouxe à terra.
Imaginemos ver passar diante dos nossos olhos algumas cenas sintomáticas do mundo de hoje. (...) E nos perguntemos: o que diria Jesus se aparecesse no meio delas? Estamos certos de que hoje, como no seu tempo, falaria novamente de amor. “Amai-vos – diria – como eu vos amei”. Somente juntos, na concórdia e no perdão, é que podemos construir um futuro sólido.
Como em uma seqüência de projeções que se dissolvem uma na outra, imaginemos transferir-nos para outros lugares, como um país da América Latina, por exemplo. De um lado, arranha-céus, muitas vezes como modernas catedrais erigidas ao deus-consumo, e, do outro, barracos, mocambos, favelas e miséria: miséria física e moral; e doenças de toda espécie.
O que diria Jesus diante desta visão desoladora? “Eu vos tinha dito que vos amásseis. Não o fizestes e eis as conseqüências.”
E se outros quadros, como numa colagem, nos oferecessem visões de cidades, conhecidas como as mais ricas do mundo, ou com as mais avançadas tecnologias e, simultaneamente, panoramas de ambientes desérticos com homens, mulheres e crianças morrendo de fome. Que diria Jesus se aparecesse bem ali no meio? “Amai-vos.”
Ou se víssemos imagens de lutas raciais com flagelos e violações de direitos humanos... Ou intermináveis conflitos armados... Que diria Jesus diante de tantos dramas? “Eu vos tinha dito que é preciso querer-se bem. Amai-vos como eu vos amei.” Sim, diria isso diante destas e das mais graves situações do mundo atual.
(...) E o que Jesus diz é de uma importância enorme, porque este “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” é a chave principal para a solução de todo problema, é a resposta fundamental para todo mal que atinge o homem.
(...) Jesus definiu o mandamento do amor como “meu” e “novo”: é um mandamento tipicamente seu, visto que lhe deu um conteúdo único e novíssimo. “Amai-vos – disse Ele – como eu vos amei”. E Ele deu a vida por nós.
Por conseguinte, o que está em jogo neste amor é a vida. E um amor para com os irmãos, dispostos a dar a vida, é o que Ele pede também de nós.
Para Jesus não é suficiente a amizade ou a benevolência para com os outros; não lhe basta a filantropia, nem a mera solidariedade. O amor que ele pede não se resume na não-violência. É algo de ativo, ativíssimo. Exige que não se viva mais em função de si mesmo, para viver pelos outros. E isso requer sacrifício, esforço. Exige que todos se transformem de pessoas covardes e egoístas, concentradas nos seus próprios interesses e nas suas próprias coisas, em pequenos heróis da vida cotidiana: pessoas que dia após dia estão a serviço dos irmãos, prontos a dar até mesmo a vida por eles.
Caríssimos jovens, é este o chamado da vocação de vocês, se não quiserem ver seus ideais dissiparem-se em meras utopias.
Vocês devem amar desse modo, viver o amor mútuo desse modo, começando vocês a dar testemunho deste amor antes de propô-lo aos outros.
Testemunhas, modelos, para que o mundo veja como vocês se amam e possa repetir aquilo que foi dito a respeito dos primeiros cristãos: “Vede como se amam e estão prontos a morrer uns pelos outros”.
Deste modo teremos colocado bases sólidas; estará plantada a raiz da árvore que queremos ver florescer.
De fato, este amor recíproco entre vocês terá conseqüências de um valor – diríamos – infinito, porque onde existe o amor, lá está Deus; e como disse Jesus: “Onde dois ou três estão reunidos em meu nome (ou seja, no seu amor), ali estou eu no meio deles”.
Vocês terão então Cristo entre vocês, o próprio Cristo, o Onipotente; e dele vocês podem esperar tudo.
Será Ele mesmo a trabalhar com vocês porque Ele de certa forma voltará ao mundo, a todos os lugares onde vocês estiverem, através do amor reciproco, da unidade vivida entre vocês.
Ele os iluminará a respeito de tudo o que deve ser feito, será o seu guia e sustento; Ele será a força, o ardor, a alegria de vocês.
Por meio dele o mundo que os rodeia se converterá à concórdia, e toda divisão será sanada. Foi Ele quem disse: “Que sejam um a fim de que o mundo creia”.
Vocês assumiram um compromisso grandioso. Não pode ser outro, senão Ele, o líder nessa luta.
Portanto, amor entre vocês e amor semeado em muitos cantos da terra, entre as pessoas, entre os grupos, entre as nações, com todos os meios, para que se torne realidade a “invasão do amor” da qual sempre falamos, e tome consistência – também mediante o contributo de vocês – a civilização do amor que todos desejamos.
É isto que vocês são chamados a viver. E haverão de ver grandes coisas.
(...) Sigam em frente sem hesitação. A juventude que vocês irradiam não conhece meias medidas, é generosa. Não a desperdicem!
Sigam em frente vocês, jovens cristãos, que acreditam em Cristo!
Sigam em frente vocês, jovens de outras religiões, guiados por seus tão nobres princípios!
Sigam em frente vocês, jovens de outras culturas, vocês que talvez não conheçam Deus mas sentem no coração a exigência de canalizar todos os esforços em função do ideal de um mundo unido!
Todos, de mãos dadas, tenham certeza: a vitória será nossa.
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por - Chiara Lubich
Imaginemos ver passar diante dos nossos olhos algumas cenas sintomáticas do mundo de hoje. (...) E nos perguntemos: o que diria Jesus se aparecesse no meio delas? Estamos certos de que hoje, como no seu tempo, falaria novamente de amor. “Amai-vos – diria – como eu vos amei”. Somente juntos, na concórdia e no perdão, é que podemos construir um futuro sólido.
Como em uma seqüência de projeções que se dissolvem uma na outra, imaginemos transferir-nos para outros lugares, como um país da América Latina, por exemplo. De um lado, arranha-céus, muitas vezes como modernas catedrais erigidas ao deus-consumo, e, do outro, barracos, mocambos, favelas e miséria: miséria física e moral; e doenças de toda espécie.
O que diria Jesus diante desta visão desoladora? “Eu vos tinha dito que vos amásseis. Não o fizestes e eis as conseqüências.”
E se outros quadros, como numa colagem, nos oferecessem visões de cidades, conhecidas como as mais ricas do mundo, ou com as mais avançadas tecnologias e, simultaneamente, panoramas de ambientes desérticos com homens, mulheres e crianças morrendo de fome. Que diria Jesus se aparecesse bem ali no meio? “Amai-vos.”
Ou se víssemos imagens de lutas raciais com flagelos e violações de direitos humanos... Ou intermináveis conflitos armados... Que diria Jesus diante de tantos dramas? “Eu vos tinha dito que é preciso querer-se bem. Amai-vos como eu vos amei.” Sim, diria isso diante destas e das mais graves situações do mundo atual.
(...) E o que Jesus diz é de uma importância enorme, porque este “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” é a chave principal para a solução de todo problema, é a resposta fundamental para todo mal que atinge o homem.
(...) Jesus definiu o mandamento do amor como “meu” e “novo”: é um mandamento tipicamente seu, visto que lhe deu um conteúdo único e novíssimo. “Amai-vos – disse Ele – como eu vos amei”. E Ele deu a vida por nós.
Por conseguinte, o que está em jogo neste amor é a vida. E um amor para com os irmãos, dispostos a dar a vida, é o que Ele pede também de nós.
Para Jesus não é suficiente a amizade ou a benevolência para com os outros; não lhe basta a filantropia, nem a mera solidariedade. O amor que ele pede não se resume na não-violência. É algo de ativo, ativíssimo. Exige que não se viva mais em função de si mesmo, para viver pelos outros. E isso requer sacrifício, esforço. Exige que todos se transformem de pessoas covardes e egoístas, concentradas nos seus próprios interesses e nas suas próprias coisas, em pequenos heróis da vida cotidiana: pessoas que dia após dia estão a serviço dos irmãos, prontos a dar até mesmo a vida por eles.
Caríssimos jovens, é este o chamado da vocação de vocês, se não quiserem ver seus ideais dissiparem-se em meras utopias.
Vocês devem amar desse modo, viver o amor mútuo desse modo, começando vocês a dar testemunho deste amor antes de propô-lo aos outros.
Testemunhas, modelos, para que o mundo veja como vocês se amam e possa repetir aquilo que foi dito a respeito dos primeiros cristãos: “Vede como se amam e estão prontos a morrer uns pelos outros”.
Deste modo teremos colocado bases sólidas; estará plantada a raiz da árvore que queremos ver florescer.
De fato, este amor recíproco entre vocês terá conseqüências de um valor – diríamos – infinito, porque onde existe o amor, lá está Deus; e como disse Jesus: “Onde dois ou três estão reunidos em meu nome (ou seja, no seu amor), ali estou eu no meio deles”.
Vocês terão então Cristo entre vocês, o próprio Cristo, o Onipotente; e dele vocês podem esperar tudo.
Será Ele mesmo a trabalhar com vocês porque Ele de certa forma voltará ao mundo, a todos os lugares onde vocês estiverem, através do amor reciproco, da unidade vivida entre vocês.
Ele os iluminará a respeito de tudo o que deve ser feito, será o seu guia e sustento; Ele será a força, o ardor, a alegria de vocês.
Por meio dele o mundo que os rodeia se converterá à concórdia, e toda divisão será sanada. Foi Ele quem disse: “Que sejam um a fim de que o mundo creia”.
Vocês assumiram um compromisso grandioso. Não pode ser outro, senão Ele, o líder nessa luta.
Portanto, amor entre vocês e amor semeado em muitos cantos da terra, entre as pessoas, entre os grupos, entre as nações, com todos os meios, para que se torne realidade a “invasão do amor” da qual sempre falamos, e tome consistência – também mediante o contributo de vocês – a civilização do amor que todos desejamos.
É isto que vocês são chamados a viver. E haverão de ver grandes coisas.
(...) Sigam em frente sem hesitação. A juventude que vocês irradiam não conhece meias medidas, é generosa. Não a desperdicem!
Sigam em frente vocês, jovens cristãos, que acreditam em Cristo!
Sigam em frente vocês, jovens de outras religiões, guiados por seus tão nobres princípios!
Sigam em frente vocês, jovens de outras culturas, vocês que talvez não conheçam Deus mas sentem no coração a exigência de canalizar todos os esforços em função do ideal de um mundo unido!
Todos, de mãos dadas, tenham certeza: a vitória será nossa.
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por - Chiara Lubich
domingo, 10 de abril de 2011
“PARRESIA”
Vamos a uma historinha. Um senhor francês foi para um acontecimento noturno; ele estava muito elegante e segurava uma taça de champanhe. Então disse: “Senhora, como esse champanhe a faz ficar bela!”. E a senhora diz: “Mas eu não bebi champanhe nenhuma...” Ele diz: “Está certo, a senhora não bebeu, mas eu bebi uma garrafa inteira”. É a mesma coisa. Existem algumas mulheres que ao voltar da Missa dirão aos seus maridos: “Como a Missa faz você ficar amável, maravilhoso!” E o marido vai dizer: “Ih! eu nem fui à Missa, eu fui ver o futebol!” E a mulher vai dizer: “É, mas eu fui à Missa!” E quanto mais eu for à Missa, mais vou conseguir amar o meu próximo; eu vou beber o amor – “aquele que bebe o Meu sangue tem a vida em mim” –. É isso, estou “bêbado do Espírito Santo”, e “estou apaixonado”.
Essa assembléia é como um grande poço, onde muitos camelos – que são vocês –, vêm beber. O poço é o lugar onde há água, vida, alegria. E Jacó vai ao poço, procurar uma esposa (cf. Gn 29). Lá havia vários rebanhos, com diferentes pastores, pequenas comunidades diferentes... e chega Jacó! Eles todos estavam esperando, porque sobre o poço havia uma pedra muito grande que eles não conseguiam tirar, e todos os rebanhos, principalmente os animais mais jovens tinham sede. Chega Raquel, ela é jovem, é bela! Assim que Jacó vê Raquel, ele tira rapidamente a pedra, que se tornara “leve”, ele conseguiu tirar a pedra do poço e foi ele que deu de beber aos animais jovens do rebanho.
Primeiro, o amor nos faz fortes! Extremamente fortes! “E o amor foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”. A Santa Virgem conhecia Gênesis 29, ela sabia muito bem que Raquel de fato existiu e que essa Raquel já anunciava Maria; falando de uma maneira simbólica, assim que Deus viu Maria, a pedra do túmulo rolou. É por amor, um amor louco, inacreditável, infinito por Maria, ela que permitiu a Encarnação de Deus e assim permitiu também a redenção, mas ela também é nossa irmã; uma vez que eu tenho comigo o meu terço, sou como Raquel e Deus me olha rezando o terço e Ele tira a pedra do poço. Deus é apaixonado por mim! Essa é a boa nova. E, se nós cremos na boa nova, tudo mais é inútil, sem sentido. A declaração de amor de Deus para Maria foi de uma delicadeza extrema, e em Maria, que é a mãe de todos nós, na Igreja da qual Maria é a mãe, todos os dias e todo o tempo, Deus quer me dizer uma declaração de amor, e eu não escuto, não presto atenção... Deus não pode gritar. O rapaz que está apaixonado por uma moça, não vai no meio da rua gritando: “Maria, eu te amo!” Ele seria louco! E o que ele vai fazer? Ele vai convidá-la para um lugar muito agradável, com uma música romântica, vai limpar a garganta e fazer uma declaração de amor. Eu fiz besteiras terríveis na minha vida, mas nunca disse: “Eu te amo” a outra pessoa senão à minha mulher. E você, cuidado, para não desgastar essa palavra! Então, a primeira vez que você fizer uma declaração de amor, faça a uma pessoa, a uma jovem que você realmente ama; você tem medo que ela diga “Não”? Todos os homens sabem que quando uma mulher diz “não, não, não...” no final das contas, pode se dar um jeito. Mas, se ela diz: “Ah! nem te ligo”, aí sim, o rapaz fica tímido, porque ele tem medo da indiferença! O amor tem medo da indiferença, e se pode dizer, de certa maneira, que Deus é tímido.
Se um rapaz quer falar a uma moça e ela fica falando, falando, falando, em hebraico ele diz: “Shemma”, que significa “Escuta!” Um escriba perguntou a Jesus: Qual é o 1º Mandamento? (cf. Mc 12,29). E Jesus respondeu: “O primeiro Mandamento é “Shemma, Israel”, que significa “escuta, Israel, amarás o teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças, e ao teu próximo como a ti mesmo”. Escute bem, a primeira palavra do primeiro mandamento é “Shemma”. É porque entenderam isso, que jovens, pessoas adultas, pessoas de idade, passam duas horas diante do Santíssimo Sacramento. É impossível amar sem escutar. É impossível deixar que Jesus faça a sua declaração de amor sem escutá-lo. Enquanto eu digo isso, há alguns aqui tocados por essas palavras; é normal, é o Espírito Santo em você, que te chama a escutar, você tem desejo de ir adorar; “Sim Senhor, eu quero Te escutar; eu quero fazer “Shemma”. Vocês, que experimentam isso agora, não reprimam essa idéia, não desistam desse chamado. Deus chama você, talvez, a grandes momentos de oração com Ele. Então, uma vez que Deus disse “Shemma” e a jovem aceitou, então Deus vai começar a fazer a sua declaração de amor.
E agora vou contar uma parábola. O filho de um rei, muito bonito e muito rico, se apaixona por uma jovenzinha do campo, que não sabe ler, é pobre, muito suja, sem nenhuma beleza, e além do mais é malvada. Coitado desse príncipe! Como se explica ele ter ficado apaixonado por essa moça? Atenção! Não estou falando de Raquel, nem da Santa Virgem, é uma pequena jovem, suja, analfabeta, burrinha, feia e malvada... sou eu mesmo; e o diabo deve dizer ao filho do rei (que é Jesus): “Você viu o Dudu? Você, Deus, é inteligente! Você fez o Dudu”. E Jesus responde: “Sim, mas eu o amo!” Então, o que é que o filho do rei vai fazer? Talvez ele chegue com o seu belo carro, suas belas roupas, seu telefone celular, todos os seus dentes perfeitos, e vá dizer: “Dudu, eu te amo, tu queres tornar-te meu esposo? Ir para o palácio do meu pai?”. O que eu vou dizer a esse Rei que me convida a ir ao seu castelo e me casar com Ele? “Sim, meu príncipe!” É exatamente assim que acontece com Deus. Como se chama uma senhora de quem se tenta comprar o amor com cartões de crédito, com belos dentes, com carros?... Se eu tenho um pouco de dignidade, vou dizer: “Por que você vem aqui me oferecer esse cartão de crédito, com teu belo sorriso! Você me respeite!” O príncipe vai ficar bloqueado, sem saber o que dizer. Por outro lado, se a jovem diz: “Sim, meu príncipe”, ele vai ficar sem saber se é por causa do que ele tem. E essa questão é profundamente importante quando se fala de amor. Todos nós temos sede de ser amados e não pelo que temos. TODOS! Inclusive Deus.
Então, o que Ele vai fazer? Ele vai se vestir como uma pessoa inferior, vai deixar o seu castelo e vai procurar onde é a casinha da sua jovem. Ele vai chegar cheio da poeira do caminho e vai ser insultado pelas pessoas daquela cidade, que não o conhecem; ele vai ser humilhado, vai ser batido, vai receber uma surra das pessoas da cidade. Mas Ele vai perservar até o fim, porque Ele a ama. Aí, Ele finalmente chega à porta do meu coração. Ele não vai dar um chute na porta para abrir, não vai forçar, o amor não pode forçar; se o amor forçar, não é mais amor. Deus é amor (1Jo 4,16). Deus não pode forçar você, Ele só pode mendigar. Ele vai bater à porta, durante muito tempo, porque eu não escuto bem; e quando eu ouvir, eu vou, lá de dentro, gritar: “Quem é?” E Ele vai dizer: “Sou Aquele que te ama! Eu sou o amor; sou o amor da tua vida”; e aí eu vou dizer: “Tudo bem, pode entrar”. Ele vai dizer: “Eu não posso! A porta está fechada, abre!” Então, vou tentar abrir, mas não consigo. Vou puxar, forçar, durante “anos”. E para abrir a porta do meu coração, é preciso que eu recue. Ah! mas eu não gosto! Eu não gosto de recuar.
A prova de que recebemos a efusão do Espírito é quando nós, sem nenhuma hesitação, aceitamos “puxar” a porta, “recuar”, nos abaixar, deixar que Deus faça. Aí a porta se abre. E o que eu vejo? O Leão da Tribo de Judá bonito, glorioso, com todos os serafins e querubins? Não! Eu vejo o Cordeiro Imolado. Ele não tem todos os bens que eu queria, a saúde, a riqueza, o bem estar, o sucesso... As suas mãos estão vazias, feridas. É assim o Amor, crucificado. Deus é inacreditavelmente POBRE! Se você pudesse saber a vulnerabilidade de Deus, nesse momento da Efusão do Santo Espírito..., quando enfim a porta se abre dentro de nós. Não é o Leão de Judá, não é a vitória dos Apóstolos, não é Aquele que faz milagres, isso tudo virá depois, mas é o Cordeiro Imolado, que olha para você e diz: “Você confia em mim? Faz tanto tempo que te procuro. É na droga, é na sexualidade, faz 17 anos que eu te procuro, e você tem 22 anos e ainda não me fez entrar em seu coração”. E há muitos de nós nessa situação, e nesse momento Jesus diz: “Eu não tenho nada para te provar que sou o Filho de Deus Pai Todo Poderoso, mas eu te amo, confia em mim. Deixe-me entrar como sou, não me peça presentes agora...”
É essa a declaração de amor de Jesus! E aí você vai dizer: “Mas é terrível, nós nos arriscamos a cometer um engano, é arriscado dizer “não” e aí tudo se perde”. Mas se você disser: “Maria, ensina-me a escutar a declaração do amor de Deus, ensina-me a deixar Jesus entrar, como Ele é”, não como eu quero, mas como Ele é, com as mãos vazias sobre a cruz aos pés de Jesus. É preciso ter docilidade ao Espírito Santo. E aprender a conciliar Marta e Maria, oração e apostolado. Eu creio que vocês trazem um carisma de missão que ainda não se desenvolveu, que está ainda muito pequenininho, como um grãozinho e isso se tornará, eu sei, uma grande árvore. Vocês são responsáveis por esse carisma que vocês trazem; vocês não têm direito de calar-se; se vocês se calarem, as pedras gritarão. O Brasil é muito grande, 240 dioceses, é preciso partir 2 a 2, 3 a 3..., partir, por todo canto do Brasil, colocando fogo, incendiando! A partir de hoje, a partir do final da Missa, é preciso falar de Jesus a 10 pessoas que não conhecem Jesus. Se eu voltar aqui antes de Jesus voltar, vou perguntar a vocês onde vocês estão, então vocês vão me responder: “Nós fomos pela Amazônia, nós fomos pelas favelas... pelos lugares desertos, fomos pelos subúrbios de São Paulo, fomos até os confins do Brasil e o Brasil está em fogo... Façam com que quando eu voltar, se Jesus não tiver voltado, o Brasil esteja em fogo, ou então o Senhor me fará vir aqui e colocar fogo, e fazer vocês trabalharem à força. Por isso, que Ele esteja já todo em fogo e vocês possam atravessar o Atlântico e tocar fogo na França, em gratidão!
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por
Revista Shalom Maná - ED. Shalom
por
Revista Shalom Maná - ED. Shalom
A vida não é uma balada
O direito de se divertir e encontrar os amigos para algumas horas de distração juntos, nunca pode tirar, da consciência, o dever de cuidar-se e cuidar dos outros. Os encontros sempre foram uma oportunidade bonita de estreitar laços de amizade e construir relacionamentos verdadeiros. As baladas são uma oportunidade positiva, para quem tem a cabeça no lugar, assim outros ambientes sociais, e podem conduzir a uma verdadeira vivência dos valores da vida humana, como por exemplo a amizade, o respeito e a valorização do outro e da vida. Somos ou não somos corresponsáveis para criar um mundo melhor? Acreditamos ou não que a vida é presente de Deus e que deve ser preservada a todo custo? Diante de tantos fatos de jovens se matando no trânsito, excedendo em bebida alcoólica, em drogas que afetam diretamente a consciência e o correto uso da razão; diante das reuniões exclusivas para determinados grupos sociais; diante da diversidade de opções que levam jovens ou adultos a viverem alienados em um mundo ilusório, acreditando serem felizes, pergunto: Quantas vidas foram e estão sendo ceifadas, a cada dia, por causa dos abusos e extravagâncias? Como convencer esta gente que pensa que a vida não vale nada? Como os pais podem ficar tranquilos em casa em um fim de semana, sem ver os filhos de volta? Quando e como voltam? Quantos não voltaram, senão em um carro funerário!
Como parte deste mundo imundo, não podemos estar de braços cruzados. Muitas iniciativas foram tomadas e estão sendo levadas a bom termo. Atitudes de repressão, como também de educação e de prevenção, são realizadas em todos os ambientes, com o objetivo de proporcionar qualidade de vida e favorecer a construção de uma sociedade cada vez mais solidária e segura. Além de todo o trabalho feito, a prevenção e a verdadeira educação vêm da família, onde, desde pequenos, aprendem a viver os limites da vida, onde aprendem o quanto vale cada coisa que usam, sabem de onde veio e quanto suor custou. Ao mesmo tempo, aprendem, com os pais, o caminho da igreja, do amor e o temor de Deus. Desde o colo materno e paterno os pequenos aprendem que a vida vale mais, que acima de tudo temos um Deus que nos ama e nos quer ver felizes, aqui e na eternidade.
Sem querer fazer dos filhos estátuas ou múmias sem sentimentos ou desejos, os pais devem, como missão, oferecer um caminho onde saibam valorizar o pouco, onde saibam viver na abundância e na carência, onde aprendam deste a tenra idade a orar e dobrar os joelhos, reconhecer que não estão sozinhos. Ninguém pode furtar-se a esse dever. É puro engano pensar: Vou deixar meus filhos crescerem e quando grande eles decidem o que querem seguir. A primeira escola, a primeira igreja, a primeira professora, o primeiro catequista é a sua casa, é o seu colo, é sua experiência de Deus. Quantos pais e mães, vazios de Deus, sem nenhuma experiência espiritual para apresentar aos filhos! Ninguém dá o que não tem. Com certeza, muitos deram tudo, menos o essencial. Com certeza, muitos não tinham nada e deram o que tinham: o amor e o carinho de quem acredita que a vida é dom de Deus Pai. Assim vamos contemplar um mundo, onde a morte não ocupa o primeiro lugar e nem nossas ruas ficarão manchadas de sangue de inocentes e de irresponsáveis que matam e morrem. A vida não é uma balada.
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por - Dom Anuar Battisti
por - Dom Anuar Battisti
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